Desertos dermatológicos e fronteiras digitais: como o Brasil está reconstruindo o caminho da dermatologia

Um médico revisando um caso na interface da Legit.Health.
Em um pequeno município do interior do Nordeste, uma médica da atenção primária suspeita de melanoma em uma paciente de 62 anos. Ela escreve um encaminhamento. O encaminhamento descreve a lesão em palavras: não há fotografia padronizada, não há medida objetiva de gravidade, não há baseline estruturado. A paciente entra na fila. A fila se move na velocidade de um continente: antes de os programas de telemedicina começarem a comprimi-la, o tempo médio de espera por uma consulta de dermatologia no SUS chegava a 294 dias. 1
Câncer de pele não espera 294 dias.
Esse é o déficit de acesso que define a dermatologia brasileira hoje, e é um déficit diferente do que outros países enfrentam. O Brasil é um país continental com sistema de saúde dual, e o gargalo da dermatologia não é uma fila: são duas filas paralelas, ambas sob pressão, cada uma por motivos um pouco distintos. Uma camada de inteligência artificial (IA) clinicamente validada, que cubra o espectro completo da dermatologia (câncer de pele, doença crônica e seguimento longitudinal) e esteja certificada pela ANVISA, com marcação CE e registro MHRA, é a peça que falta nas duas filas.
Dermatologia de classe mundial, distribuída de forma desigual
O Brasil tem dermatologia de classe mundial. Ela só não está distribuída de forma uniforme.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), apenas 9,5% dos municípios brasileiros têm pelo menos um dermatologista, e cerca de um terço dos dermatologistas do país atua somente no estado de São Paulo. 2 A nível nacional, a razão fica entre 1 dermatologista para cada 17.500 e 23.000 habitantes, segundo diferentes levantamentos de demografia médica; em regiões remotas do Norte e do Nordeste essa proporção é bem menor, ordens de magnitude abaixo do que a Organização Mundial da Saúde considera razoável para uma especialidade cuja demanda atravessa rastreio oncológico, doença crônica e atenção primária. 2
O resultado é uma especialidade que está em todo lugar na atenção primária, com praticamente todo médico de família atendendo dermatologia no dia a dia, mas com capacidade especialista concentrada em um punhado de capitais. A geografia vira variável clínica.
O apoio à decisão diagnóstica ao longo de todo o espectro, de uma doença inflamatória crônica a uma lesão vascular benigna, se parece com isto:
- Acne76.62%
- Foliculite por Malassezia7.14%
- Dermatite seborreica1.79%
- Rosácea1.02%
- Dermatite eczematosa0.98%
- Acne
- Foliculite por Malassezia
- Dermatite seborreica
- Rosácea
- Dermatite eczematosa
- Other

- Hemangioma85.87%
- Acrodermatite papular infantil0.22%
- Herpes-zóster0.19%
- Nevo epidérmico0.17%
- Angioma0.17%
- Hemangioma
- Acrodermatite papular infantil
- Herpes-zóster
- Nevo epidérmico
- Angioma
- Other

A mistura importa. O câncer de pele é a fatia mais urgente da dermatologia, mas está longe de ser a maior. O grosso do que a atenção primária vê é doença crônica, inflamatória ou infecciosa, e a maior parte desses casos poderia ser resolvida sem uma vaga de especialista.
Duas filas paralelas, uma especialidade sob pressão
O Brasil tem o SUS (Sistema Único de Saúde, público e universal) e uma rede ampla de operadoras de saúde que cobre dezenas de milhões de beneficiários. A dermatologia está sob pressão dos dois lados dessa linha, e a pressão tem cara diferente em cada um.
No SUS, o gargalo é o volume encontrando a geografia. Uma unidade básica em um município pequeno precisa triar queixas dermatológicas (nevos benignos, suspeitas de melanoma, surtos de eczema, seguimento de psoríase crônica, hidradenite) em uma fila única que pode ser atendida por um dermatologista a centenas de quilômetros de distância. Programas de telemedicina como o do Rio Grande do Sul mostraram que essa fila pode ser reduzida em 79% quando a triagem é estruturada na origem, mas o ganho depende do que chega ao especialista, e não apenas da abertura do canal. 1
No sistema privado, a pressão é outra. As operadoras de saúde não estão sem dermatologistas: estão sem uma forma de rotear a demanda de teledermatologia sem mandar todos os casos para o especialista. Uma fatia crescente dos beneficiários está usando teledermatologia e apps integrados como porta de entrada, e a operadora fica diante de duas perguntas ao mesmo tempo: quais desses casos realmente precisam de especialista, e como garantir que os que precisam cheguem com informação suficiente para serem úteis?
As duas filas esbarram na mesma restrição lá no fundo: o encaminhamento, em si, não carrega o dado que o próximo clínico precisa.
Câncer de pele é um contador, e ele está rodando
A dermatologia no Brasil não é apenas uma história de doença crônica. O câncer de pele é o tumor mais diagnosticado do país: o câncer de pele não melanoma é o câncer mais frequente no Brasil, com cerca de 263 mil novos casos por ano, mais de 30% de todos os diagnósticos de câncer, segundo a Estimativa 2026-2028 do INCA, que projeta 781 mil novos casos de câncer por ano no país. 3 Os dados longitudinais hospitalares vão além: a morbidade por câncer de pele subiu 86% acima das taxas históricas entre 2012 e 2022, uma tendência puxada por envelhecimento, exposição solar e, criticamente, pelo intervalo entre a suspeita na atenção primária e a confirmação pelo especialista. 4
A Sociedade Brasileira de Dermatologia promove todos os anos, em dezembro, a campanha Dezembro Laranja de prevenção e detecção precoce do câncer de pele, com mutirões gratuitos em mais de 100 postos pelo país. É um bom momento sazonal para reforçar esta conversa junto à imprensa e ao público brasileiro.
A geografia desigual pesa aqui porque os pacientes com as maiores distâncias até um dermatologista são justamente os pacientes cujas lesões têm menor chance de chegar com imagem registrada na apresentação. Distância vira atraso diagnóstico. Atraso diagnóstico vira estágio de apresentação mais avançado.
Como seria um fluxo de atenção remota integrada
A solução não é "mais dermatologistas". Essa é uma resposta de 10 anos para um problema de 10 dias. A solução é uma camada que faça com que todo encaminhamento, em qualquer um dos dois sistemas, carregue o mesmo conjunto mínimo de dados até o próximo clínico:
- Uma imagem padronizada, capturada da mesma forma, independentemente da unidade ou do dispositivo.
- Apoio à decisão diagnóstica: uma leitura assistida por inteligência artificial que sinaliza achados clínicos no momento da triagem e complementa o julgamento do clínico.
- Um score objetivo de gravidade, ancorado em escalas clínicas validadas (PASI, SCORAD, IHS4, UAS, SALT...) usadas hoje em dermatologia no Brasil, e não na impressão subjetiva de quem está escrevendo o encaminhamento.
- Um baseline longitudinal estruturado, para que seguimento queira dizer medição, e não nova impressão.

O paciente inicia o fluxo enviando uma foto pelo aplicativo que já usa.
Fluxo em 4 passos, dentro do próprio app da operadora ou do hospital
- O paciente abre o aplicativo do prestador hospitalar ou plano de saúde e envia uma foto da lesão e uma anamnese curta estruturada.
- Uma IA clinicamente validada devolve ao médico uma leitura estruturada da imagem: apoio à decisão diagnóstica e uma saída objetiva de gravidade.
- O médico decide a rota mais adequada: atenção primária (APS), especialista ou teledermatologia.
- O mesmo registro vira o baseline longitudinal de qualquer revisão futura desse paciente.
Sem segundo login, sem sistema paralelo: o dado que o próximo clínico precisa viaja com o paciente.
Quer ver a tecnologia de IA clínica em ação?
Um momento de vanguarda para a saúde digital brasileira
O Brasil não está correndo atrás na saúde digital. Em várias dimensões, está na fronteira. O Ministério da Saúde ancorou a sua agenda na Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028 (ESD28), 5 opera um dos maiores programas públicos de teledermatologia do mundo, constrói interoperabilidade nacional via RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde) sobre um perfil FHIR brasileiro, 6 e acelera o Programa SUS Digital como braço operacional dessa estratégia.
Do lado regulatório, a ANVISA vem reformulando ativamente o marco para software como dispositivo médico. A RDC 657/2022 alinhou o Brasil ao framework IMDRF SaMD, 7 e a revisão da RDC 657, em consulta pública pela ANVISA desde 2025, introduz uma norma de qualidade específica para SaMD baseado em inteligência artificial, cobrindo controlabilidade, adaptabilidade, robustez, transparência e capacidade de intervenção, junto com o Plano de Controle de Alterações Predeterminadas (PCCP), mecanismo que permite atualizar produtos de IA com segurança sem reabrir o registro a cada iteração. 8 9
É a mesma direção que o framework de IA/ML SaMD da FDA tomou, e o Brasil está entre os primeiros mercados emergentes a formalizá-la.
A implicação para operadoras, hospitais e programas de atenção primária é concreta: a pergunta deixou de ser se uma IA clinicamente validada cabe no fluxo dermatológico. A pergunta passou a ser qual camada de IA está regulada para operar dentro desse fluxo, sobre desfechos clínicos reais, com evidência clínica rastreável e integração baseada em padrões.
Essa é a régua que um stack de saúde digital de vanguarda deve cumprir:
- Regulado como dispositivo médico, não como app de bem-estar: certificado pela ANVISA, com IFU em português, marcação CE na União Europeia e registro junto à MHRA no Reino Unido.
- Validado clinicamente em desfechos que importam: apoio à decisão diagnóstica e desempenho de scoring de gravidade contra painéis de dermatologistas e escalas clínicas validadas, e não apenas precisão retrospectiva sobre datasets fechados.
- Construído em torno do espectro completo da dermatologia: câncer de pele, doença crônica, dermatologia geral e seguimento longitudinal, porque o modelo de cuidado de vanguarda é integrado, e não fragmentado por condição.
- Integração baseada em padrões com o ecossistema brasileiro de prontuários, de modo que a saída da IA seja um dado estruturado do registro clínico, e não uma captura de tela.
- Engenheirado sob ISO 13485 e ISO 27001, em conformidade com a LGPD por desenho.
A próxima década da dermatologia no Brasil não vai ser ganha pelo maior plantel de especialistas. Vai ser ganha pelas operadoras, hospitais e programas públicos que colocarem a camada certa de IA de grau clínico entre a foto do paciente e a fila do especialista, sobre trilhos que o prontuário já entende.
Para operadoras de saúde e seguradoras
Para uma operadora de saúde brasileira, o déficit de acesso também é um problema de utilização e de custo unitário: a demanda por dermatologia cresce, e a especialidade já está entre as cinco mais buscadas em plataformas de telemedicina no Brasil. 10 Todo encaminhamento sem roteamento acaba virando consulta com especialista, e a operadora tem pouca visibilidade sobre o que o especialista de fato precisava ver.
Uma camada de dermatologia apoiada por inteligência artificial muda a unidade de trabalho que a operadora paga.
Início remoto pelo próprio paciente
O beneficiário abre o app que a operadora já oferece, o mesmo aplicativo que ele usa para marcar consulta, pedir autorização ou falar com um clínico de teledermatologia, envia a foto da lesão e responde a uma anamnese curta estruturada. Sem segundo app, sem novo login: a jornada começa exatamente onde o beneficiário já está.
Roteamento por dado, e não por descrição
Com imagem padronizada, apoio à decisão diagnóstica e score objetivo de gravidade anexados ao caso, o time de gestão de cuidados da operadora, ou seu parceiro de teledermatologia para operadoras de saúde, consegue rotear por sinal clínico: APS, teledermatologia, especialista presencial ou especialista urgente.
Menos vazamento na fila de dermatologia
A triagem padronizada na origem tende a reduzir encaminhamentos desnecessários ao especialista, o que comprime a fila crônica de dermatologia sem precisar expandir capacidade especialista.
Registro clínico auditável
Cada passo, imagem, apoio à decisão diagnóstica, score de gravidade, decisão de triagem e decisão clínica, fica estruturado e datado: exatamente o tipo de evidência que a operadora precisa para revisão de governança clínica, auditoria e contratos baseados em valor com a rede prestadora.
O mesmo padrão funciona para TPAs, programas de saúde de empresas autosseguradas, prestadores de telemedicina contratados por operadoras, e grandes redes hospitalares (Albert Einstein, Sírio-Libanês, Rede D'Or, Hapvida NotreDame Intermédica, Amil) que operam sua própria porta de entrada digital. O alvo de integração é o mesmo: a plataforma que o paciente já usa.
Construído para integração com o prontuário eletrônico brasileiro
Uma camada de IA dermatológica só é útil se a saída estruturada que ela produz chegar de fato ao clínico, dentro do sistema em que ele já trabalha. Isso é um problema de integração com o prontuário, não um problema de interface.
A Legit.Health foi desenhada para se conectar ao ecossistema brasileiro de prontuários eletrônicos: plataformas de gestão de cuidados das operadoras, prontuários hospitalares, sistemas de informação da atenção primária e stacks de teledermatologia. A integração é baseada em padrões, e a saída da IA chega como dado clínico discreto no registro do paciente, em vez de como captura de tela ou anexo em PDF. O tratamento de dados está em conformidade com a LGPD ponta a ponta, com base legal, minimização de dados, acesso auditável e residência de dados em território nacional quando exigido pela política da operadora.
Na prática, a saída da IA passa a fazer parte do registro clínico longitudinal que operadora e prestador já mantêm, pesquisável, comparável entre consultas e reutilizável no seguimento, em vez de virar uma captura de tela isolada dentro de um sistema paralelo.
Onde a Legit.Health se encaixa no mercado brasileiro
A Legit.Health é um dispositivo médico regulado, certificado pela ANVISA, com Instruções de Uso (IFU) disponíveis em português, desenhado para operar exatamente como a camada que falta no fluxo dermatológico, cobrindo o espectro completo da dermatologia: rastreio de câncer de pele, apoio à decisão diagnóstica, scoring de gravidade em doença crônica e seguimento longitudinal.
Também tem marcação CE, registro MHRA, certificações ISO 13485 e ISO 27001, e foi desenhada para integração em conformidade com a LGPD com prontuários eletrônicos brasileiros.
O que isso significa na prática para uma operadora de saúde, rede hospitalar ou programa de atenção primária no Brasil:
- A mesma imagem padronizada, o apoio à decisão diagnóstica e o score objetivo de gravidade chegam a todo clínico da cadeia: médico de atenção primária, médico de telemedicina, especialista.
- Encaminhamentos passam a ser roteados por dado, e não por descrição, o que tira pressão da fila do especialista sem precisar expandi-la.
- O seguimento de doença crônica vira reproduzível: a mesma lesão, medida da mesma forma ao longo do tempo, independentemente de qual clínico está em frente ao paciente.
A desigualdade na distribuição de dermatologistas não muda da noite para o dia. A fila de 294 dias não desaparece sozinha. Mas o encaminhamento que entra na fila pode deixar de ser um parágrafo de texto subjetivo e passar a ser um registro clínico estruturado, ancorado em uma imagem padronizada, com apoio à decisão diagnóstica e score objetivo de gravidade, que é exatamente o que toda fila a jusante, em qualquer um dos dois sistemas, está esperando.
Fale com a equipe Brasil
Se você lidera dermatologia, atenção primária, telemedicina ou um programa de saúde digital dentro de uma operadora de saúde, uma rede hospitalar ou uma iniciativa de saúde pública, e quer ver como ficaria uma camada de IA dermatológica integrada, certificada pela ANVISA e em conformidade com a LGPD dentro do seu fluxo específico, fale com a equipe Brasil da Legit.Health.
Sobre a Legit.Health. A Legit.Health é um dispositivo médico regulado para dermatologia apoiada por inteligência artificial, certificado pela ANVISA no Brasil, com marcação CE na União Europeia, registro junto à MHRA no Reino Unido, e certificações ISO 13485 e ISO 27001. Foi construída para o espectro completo da dermatologia (triagem de câncer de pele, apoio à decisão diagnóstica, scoring de gravidade em doença crônica e seguimento longitudinal), e desenhada para integração com prontuários eletrônicos brasileiros em conformidade com a LGPD.


